SessenTeen, que história é essa?

A sociedade na qual a gente vive cria bastante expectativa a respeito da terceira idade.

Não sei se é por isso, mas por mais “easy going” que você tente ser na vida, sempre surge aquela inquietação. Como vai ser? Afinal, separaram a população entre os que têm menos e os que têm mais de 60 anos. Você vai passar a fazer parte de um grupo e ganhar um rótulo. Mas em você, algo vai mudar de fato?

Talvez a grande inversão da expectativa seja esta. De um dia para o outro, vai ter uma vaga garantida pra você no estacionamento do shopping, desde que esteja disposto a colocar seu carro em cima de um retângulo onde está escrito IDOSO. Você vai contar com o benefício de pagar meia entrada no cinema e em shows. E o que mais, mesmo? Era isso?

Fora essas convenções, que geram pequenas mudanças na vida, da sua pele pra dentro, tudo igual. Envelhecer é uma coisa que todos nós fazemos, sem parar, desde o dia em que nascemos. O que talvez tenha mudado, e radicalmente, é o número de pessoas que chega aos sessenta se sentindo com apenas um ano a mais e com expectativa de viver ainda algumas décadas. Isso sim é novidade.

Chegar lá sabendo que ainda tem um bom tempo pela frente, mais do que qualquer rótulo, é o que faz a gente parar pra pensar. Como queremos viver esse tempo, fazendo o que, com que propósito?

O SessenTeen foi criado para ser um lugar de reflexão, onde eu vou compartilhar as descobertas que tenho feito ultimamente  sobre tudo isso. Uma delas é o trabalho de Alexandre Kalache. No ano passado eu li uma entrevista com ele na Zero Hora, que foi uma das fontes de inspiração para a criação deste site. Nessa entrevista, o doutor em Saúde Pública pela Universidade de Oxford, Presidente do Centro Internacional de Longevidade do Brasil e diretor por 14 anos do Programa Global de Envelhecimento e Saúde da OMS, Organização Mundial da Saúde, compara “Quando a gente vivia até os 50, 60 anos, num passado recente, a vida era uma corrida de cem metros. Hoje a vida é um maratona”. Não é uma boa metáfora?

Curiosamente, aqui no Brasil, um país de dimensões gigantescas no que se refere à falência do sistema previdenciário, é considerado “normal”, nessa época da vida, a pessoa entrar em férias. E nunca mais sair. Não tá mais do que na hora de transformar isso? Como toda boa mudança, essa só vai  acontecer, se a gente começar a pensar sobre o assunto. Simbora?

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